Grandes mistérios da humanidade
- Carlos_Santoro
- 2 days ago
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Desde que comecei, nos anos 1990, a pesquisar a história do Fluminense e a montar um banco de dados com todos os jogos disputados pelo clube, propus-me a identificar, um a um, todos os jogadores que atuaram ao menos uma vez pela equipe principal. Dei especial ênfase àqueles do período amador (1902–1932), pois são justamente os que apresentam maior dificuldade de pesquisa.
Com o tempo, graças ao advento dos arquivos de jornais digitalizados e, principalmente, dos sites de genealogia, consegui identificar a grande maioria deles. E, por "identificar", refiro-me a levantar os dados biográficos de cada jogador, como seu nome completo, as datas e os locais de nascimento e de óbito, além de reconstruir um pouco de sua trajetória. Ainda assim, há alguns que, passados mais de 30 anos de pesquisa, jamais consegui identificar.
O objetivo deste post é, portanto, listar esses atletas misteriosos e contar o pouco que sei sobre cada um deles, na esperança de que algum pesquisador mais competente do que eu, ou que tenha acesso a informações às quais eu desconheça, consiga identificá-los e se disponha a compartilhar essa identificação com o Almanaque do Fluminense.
Este é um post ainda em construção e, portanto, incompleto. Aos poucos, conforme eu tiver tempo, acrescentarei novos nomes a ele, sempre em ordem cronológica da estreia de cada jogador pelo Fluminense.

JOAQUIM ARAÚJO (1905-1906)
O indivíduo bigodudo acima chama-se Joaquim Araújo e defendeu o clube nas temporadas de 1905 e 1906. Atuava no meio campo e fez parte de um rodízio de atletas testados neste setor que tinha Buchan e Gulden como únicos titulares absolutos. O pouco que sei sobre ele, tirado de um caderno contendo lista de sócios e seus endereços (onde pagavam a mensalidade) do início do século XX, é que ele foi proposto sócio em 1905 por ninguém menos que Oscar Cox, que seu endereço era Rua dos Araújos no. 14, na Tijuca, e que em 1908 ele deixou (se licenciou) o clube. Todas as minhas tentativas de identificar esse indivíduo, seja em catálogo de endereços ou registros de cartório se mostraram infrutíferas e ele segue sendo um completo mistério para mim.
LUIZ PEDERNEIRAS (1905)
Luiz Pederneiras, atleta que defendeu a equipe principal do Flu em alguns jogos em 1905, em princípio, devido ao nome relativamente singular, não deveria ser difícil de rastrear, e de fato não o foi. O problema, no entanto, é que o Flu tinha dois sócios chamados “Luiz Pederneiras” em 1905! Eu identifiquei ambos, que por sinal eram primos. O mais velho, chamava-se Luiz Paranhos Pederneiras (1872-1912) era taquígrafo da Câmara dos Deputados, funcionário da Companhia Sul-América de Seguros e foi vice-presidente do Flamengo. E o mais novo, conhecido como Lulu, chamava-se Luiz Vasconcellos Pederneiras (1886-1960), formou-se advogado, trabalhou como corretor, e ganhou destaque nas décadas de 1930 e 1940 como corredor de baratinhas tendo participado inclusive de provas no famoso Circuito da Gávea. Entretanto, apesar de não poder provar, eu chutaria com quase absoluta certeza que o “Luiz Pederneiras” que defendeu as cores do Flu foi o Lulu, não só pela idade (homens formados e/ou casados, como o Luiz Paranhos, que tinha 33 anos em 1905, não costumavam correr atrás de bola nessa época), como pelo fato de seu nome e o de um de seus irmãos (Hyppolito, também sócio do Flu, e que teria morte trágica em 1909 quando o carro em que passeava com o irmão tombou na rua onde foi fundado o Fluminense) aparecem constantemente atuando pelo Petropolitano.

WALTER SALMOND (1905-1908)
O inglês Walter Salmond desembarcou no porto do Rio de Janeiro, vindo de Southampton no vapor “Danube”, em agosto de 1905 e pelos três anos seguintes seria titular absoluto da zaga tricolor formando dupla com Victor Etchegaray. Seu último jogo pelo Flu foi em um amistoso em dezembro de 1908 e depois nunca mais se ouviu falar dele. Do Flu Memória eu consegui um endereço, Rua do Livramento 169, o mesmo do goleiro Waterman e supostamente da empresa inglesa responsável pelas obras de reforma do porto do Rio. Mas mais importante consegui uma amostra de sua assinatura, tirada de uma ata de reunião, o que abria a possibilidade de identificá-lo através de sua certidão de casamento. Outra informação importante, sua idade (26 anos em 1905), tirada da lista de passageiros do Danube, me permitiu eliminar homônimos em registros da Inglaterra e identificar o único “Walter Salmond” possível de ser o jogador como um indivíduo nascido na vila de Bradfield na paróquia de Berkshire, a oeste de Londres, em 1879. Esse Walter aparece em censos do Reino Unido de 1881, 1891 e 1901, numa relação de maçons de 1904, onde sua profissão é dada como “cashier” (caixa) e na relação de passageiros de 1905 já mencionada. Porém, após essa data, não há mais qualquer menção a ele, seja em censos, registros de casamento e óbito, relações de passageiros, registros militares, etc... Nada. É como se após 1905 ele simplesmente não existisse. Eu tenho grande convicção de que esse Walter Salmond nascido em Bradfield é o jogador do Flu, porém, não tenho no momento como prová-lo, e minhas tentativas de localizar seus descendentes (ele teve três irmãs e um irmão que produziram filhos e netos) se mostraram infrutíferas. Segue sendo um grande mistério não só sua identificação como seu paradeiro.
ÁLVARO MACEDO (1906)
Álvaro Macedo, que disputou uma única partida pela equipe principal do Flu, a goleada de 11 a 0 sobre Football & Athletic, válida pelo returno do Campeonato Carioca de 1906, é uma situação idêntica à de Luiz Pederneiras, pois haviam dois “Álvaros Macedos” sócios do Flu em 1906. E se no caso dos Pederneiras dá para “escolher lado” sem medo de ser feliz, no caso dos Macedos isso é impossível pois ambos jogaram bola e estavam inscritos na Liga Metropolitana, como pode ser visto na relação de jogadores registrados para a disputa da Taxa Caxambu (2a. Divisão) abaixo, publicada pela Gazeta de Notícias em abril de 1906. Chamavam-se Álvaro de Souza Macedo (1885-1950) e Álvaro do Rego Macedo (1884-1948). O primeiro foi vice-presidente do Fluminense em 1912 e era irmão mais velho de Carlos Macedo (1887-1966) que atuou na mesma partida mencionada acima e o segundo posteriormente debandou para o Botafogo, clube do qual é benemérito.

LUZ MAIA (1909-1912)
O zagueiro Luiz Maia que militou pelo segundo quadro do Fluminense em 1908, 1909 e 1911 até assumir a titularidade da zaga em 1912 após a debandada de praticamente toda a equipe titular para o Flamengo (atuou também pelo Athletic em 1906, Riachuelo em 1907 e Haddock Lobo em 1910) é outro que eu jamais consegui identificar positivamente. De fato a única informação extra campo que consegui sobre ele é que teria nascido na data de 18 de março (veja abaixo), porém até o momento não localizei nenhum documento de cartório que permita a sua identificação. Mario Filho tem uma história engraçada sobre um soco involuntário que ele teria dado num adversário (veja abaixo) e existe um episódio esquisito sobre uma tentativa de suicídio envolvendo o seu nome em 1917 na sede da Liga Metropolitana (veja abaixo) mas não dá para afirmar com absoluta certeza se era o antigo jogador do Flu, embora tudo indique que sim.






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